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Ergonomia Cognitiva e suas Aplicações

Ergonomia Cognitiva e suas Aplicações

A Ergonomia, também conhecida como Fatores Humanos, é uma ciência que estuda as relações de seres humanos e os elementos de um sistema.

É um conjunto de princípios, teorias e métodos voltados às atividades humanas, que objetivam desenvolver aspectos físicos, mentais, perceptivos, organizacionais, sociais e ambientais proporcionando o bem-estar e aumentando a produtividade.

É dividida em três áreas, de acordo com a Associação Internacional de Ergonomia: a ergonomia física, que lida com o corpo humano e sua relação com esforços físicos e psicológicos, a ergonomia organizacional, que trabalha a gestão de qualidade, comunicação e recursos de pessoas e, finalmente, a ergonomia cognitiva, que inclui o estudo dos processos mentais, como percepção, atenção, memória e controle motor.

Origens da ergonomia cognitiva

Em 1952, o psiquiatra francês Louis Le Guillant apresentou um estudo que comprovou a elevada exigência da capacidade cognitiva no trabalho.

Deste estudo, surgiu a expressão “neurose das telefonistas”, que consistia em uma série de sintomas que grande parte das telefonistas estava sentindo na época.

Considerada uma síndrome, apresentava perturbações como dor de cabeça, zumbidos nos ouvidos, pensamentos obsessivos sobre o trabalho e alterações de humor, que surgiam não somente durante os dias de trabalho, mas nos finais de semana, férias e dias de folga.

Ao longo dos anos, percebeu-se que a síndrome afetava trabalhadores de todos os âmbitos exigentes de esforço mental, de forma mais ou menos intensa. Operadores de máquinas, operários de fábricas e pessoas que trabalhavam sentadas, por exemplo, sofriam de dores nas costas e pescoço e outros problemas musculares por movimentos repetitivos.

Nos anos 60, com a disseminação do trabalho com computadores, novas pesquisas foram feitas a respeito da interação humano-computador. Foi então observada a relação entre ergonomia e usabilidade, onde unem-se a adaptação de um indivíduo a uma máquina e a sua eficácia, eficiência e satisfação durante o trabalho. Ao longo dos anos, também foi possível relacionar a ergonomia cognitiva com grandes acidentes de trabalho da história, como o acidente de Three Mile Island e o Desastre de Bhopal, considerados falhas humanas que resultaram em tragédias.

Componentes da ergonomia cognitiva

Ergonomia cognitiva 2

Um conjunto de fatores e características é exigido durante todos os tipos de tarefas. A ergonomia cognitiva estuda o desenvolvimento do homem na preparação e conclusão de tais tarefas em ambientes de trabalho complexos, que exijam uma dinâmica de um conjunto de qualidades. Entre elas a exigência de tempo, o carreamento e a transferência de informação, a consciência situacional e a segurança necessária. Para isso, a ergonomia cognitiva tem como principais temas:

  • A percepção;
  • As memórias de curto e longo prazo;
  • A atenção;
  • A tomada de decisão.

A Percepção

As abordagens associacionista, holística e analítica são teorias a respeito da percepção do conhecimento. A associacionista baseia-se na junção de diversas sensações captadas por meio de estímulos ambientais, que têm um significado quando associadas à memória. A abordagem analítica baseia-se na percepção visual mais detalhada para posterior análise mental e a abordagem holística considera a percepção do todo. A partir da percepção, a aprendizagem une-se às experiências pré-existentes e permite uma ação.

A Memória

É o processamento das informações relacionado ao seu armazenamento. Primeiro ocorre no cérebro a formação de uma representação do que é percebido. Estes códigos representando informações são armazenados e posteriormente são recuperados quando necessitam ser utilizados. Há a memória de curto prazo, que é uma memória ativa, guardará informações necessárias a respostas imediatas como para o raciocínio rápido, certos comportamentos e tomada de decisão. Seu processamento é rápido, guarda conhecimentos e pensamentos em qualquer momento e pode ser enfraquecida por distrações. A memória de longo prazo guarda conhecimentos gerados ao longo de toda a vida e sua visão geral das coisas. É necessária para qualquer ação e participa na aquisição de significado às informações. Seu processamento e armazenamento têm maior tempo quando o acesso às informações, é repetitivo e tem caráter familiar. Este tipo de memória é criado utilizando conhecimentos pré-estabelecidos, que exigiram emoção e envolvimento na sua apreensão.

A Atenção

A percepção e seleção de certos estímulos relacionando-os, formam o processo de atenção. A atenção prolongada, exigida em diversas situações diárias como dirigir, necessita de uma intensa atividade de alerta, resultando em um maior esforço mental.

O tempo de reação e o tempo de resposta demonstram o êxito do processo, onde o passar do tempo e o contínuo estímulo fazem o tempo de resposta aumentar, necessitando de pausas.

A atenção melhora a partir da percepção de estímulos mais fortes e contrastantes e, também, quando a pessoa se sente bem e está com a autoestima elevada. No entanto, pode diminuir quando está sob estresse ou em ambientes desagradáveis.

A Tomada de Decisão

Baseada no controle cognitivo, une todos os processos anteriores. Inicia pela interpretação do sinal, que veio a partir do estímulo, e todo o seu processamento baseado em experiências pré-estabelecidas e sua aplicação de acordo com regras e aptidão e habilidades do indivíduo.

Objetivos da ergonomia cognitiva

A ergonomia cognitiva se utilizará de suas bases para analisar as tarefas feitas no trabalho e desenvolver o mais adequado sistema humano/máquina.

A análise das tarefas é feita inicialmente através de uma pesquisa com os trabalhadores, que descreve o modo como estes criam estratégias, enxergam, analisam e resolvem problemas de acordo com suas capacidades. Logo após, identifica as questões principais e seus significados e torna-os compreensíveis.

Existem vários métodos de análise cognitiva das tarefas, que as elucidam:

  • O método de decisões críticas, que faz uma retrospectiva de suas ações e tomadas de decisão, e faz uma análise a partir da própria perspectiva do indivíduo;
  • O método dos mapas conceituais que são representações gráficas de conceitos onde é revelado, preservado e compartilhado o conhecimento;
  • O método do “pensar em voz alta” (think-aloud) no momento da execução da tarefa, sem filtros ou limitações, porém com o foco nela e não em sentimentos;
  • O método da observação, que identifica a veracidade de intenções e ações, inconscientes ou que não seriam reveladas de forma espontânea.

Após a análise das tarefas, o ergonomista avalia o real impacto das relações do indivíduo com o sistema, como a carga mental utilizada excessivamente, seu desempenho, possíveis dificuldades e falhas e o surgimento de síndromes devido ao mau emprego de suas ações, buscando encontrar melhores formas de adquirir controle emocional e mental e organizar o trabalho.

Sem dúvida uma área muito importante e que tem ganhado cada vez mais importância no entendimento do trabalho e sua relação com a satisfação e qualidade de vida.

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